segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Rápida nota sobre defesa e acusação.

Olá.

Quanto tempo, não?

Pois é, com a rotina de estudo para concursos (ainda mais dando aula para outros candidatos) fica difícil separar um tempo para escrever.
Quase não dá pra pensar em outra coisa que não seja relativo a concursos!
Ainda mais agora, que arranjei um "passatempo" pra lá de empolgante (o Jiu-Jitsu).

Contudo, com bastante força de vontade, aqui estou falando de um assunto que me deixou com raiva nesse início de Dezembro desse apocalíptico ano de 2012.

Não vou falar aqui de Concursos ou da Arte Suave. O que me deixou irado nesse início de noite foi um texto que li no agradável e muito útil (principalmente para juristas em geral) site Migalhas.

Na referida reflexão, de autoria de Rômulo de Andrade Moreira, muito me chateou, não pela totalidade de seu conteúdo, mas pelo seu motivo, pelo que motivou a sua redação.

O texto começa interessante, nos informando de uma decisão do STF onde a Suprema Corte concedeu um inovou na jurisprudência pátria ao conceder um Habeas Corpus a um acusado que foi, digamos, mal assistido pelo seu Defensor Público.

Para quem não é da área do Direito, entenda: o Defensor Público, que é, literalmente, o advogado dos pobres¹, perdeu o prazo para recorrer de uma sentença que condenava seu "cliente". Normalmente, a história se encerraria por aí e o preso ficaria preso. Prazos são prazos, e existem para serem cumpridos.

Apesar disso, o STF decidiu que o recurso deveria ser apreciado, mesmo fora do prazo, pois, como disse o Ministro Ricardo Lewandowski, não pode, por culpa do Estado, o paciente sem recurso, assistido pela Defensoria Pública, ter prejudicado o seu direito à apreciação do recurso competente

Estava adorando ler o artigo, quando o autor me solta: "Muito bem. Em tempos de mensalão, finalmente uma decisão sóbria."

Quem quiser pode ler toda a argumentação do senhor Rômulo, que mais cola trechos de outros juristas do que propriamente argumenta.

Pode-se, no entanto, resumir o que o jurista propõe na seguinte frase de sua autoria: "Sempre afirmei que defender é uma arte; acusar também o é, menos nobre, é verdadepois o homem nasceu para ser livrenão para ser preso."

Concordo com muita coisa que ele disse, mas não tem como engolir esse discurso pronto de gente que quer ser do contra! E isso me irritou porque consigo enxergar resquícios desse "espírito" em todo lugar. Família, amigos, trabalho, universidade, etc.

Sempre tem aquela pessoa que levanta bandeiras suicidas com o único propósito de não chegar à triste conclusão de que sua opinião é igual à da "grande massa".

Irrito-me ainda mais com os defensores ferrenhos dessa não-violência absoluta e bundona, que se baseia em renomados e inúmeros estudiosos e sociólogos, e antropólogos e "blá-blá-ólogos", mas que não tem ABSOLUTAMENTE nenhuma comprovação empírica.

E que fiquem claras duas coisas:
1°: não sou defensor nem aplaudo a violência gratuita nem o atual sistema penal e carcerário de nosso país. 
2°: quando digo que essas filosofias de não-violência não tem comprovação empírica, na prática, não estou dizendo automaticamente que a atual praxis está com a razão, nem que descreio num mundo sem violência. Pelo contrário.

O que não suporto são os defensores dessas teorias. Primeiro pela própria defesa da causa. Eles odeiam a violência e tudo que tem a ver com isso com tanto "sangue nos olhos"...

E mais, muitos não conseguiriam viver 10% do que apregoam em coisas simples da vida.

Gostaria de saber se qualquer um desses fossem roubados, ou se o filho ou filha desses sofressem nas mãos de mal-feitores, se eles olhariam para os criminosos e diriam: "poxa, tomara que ele pegue um excelente advogado, pois o ser humano foi feito para a liberdade e não para a prisão".

Ora que fomos feitos para a liberdade é óbvio. Mas que liberdade é essa, onde eu não posso pensar em ter um carro novo sem seguro. Vejam só: eu tenho que pagar por um bem e pagar a mais, pela certeza de que serei roubado!

Nosso mundo caído e desgraçado é assim: enquanto alguns tentam levar a vida na naturalidade da liberdade, outros simplesmente impõem sua vontade sobre a dos outros, roubando, estorquindo, explorando... não importa, seja o pobre que rouba (seja para comer, seja para enriquecer), seja o rico que rouba explorando os pobres, o espírito é o mesmo: o egocentrismo que impede de olhar para o outro e mensurar a dano que uma atitude pode causar neste.

É extremamente fácil proteger o pobre que rouba quando você recebe uma ligação no seu Smartphone e sai de seu escritório, pega seu carro e chega ao fórum ou delegacia.

Só me convence um advogado que defenda o ladrão que o roubou, ou que, impedido de o fazer, indique um amigo advogado, de igual competência para o fazer.

A maioria desses defensores (tirando os defensores públicos) não estão preocupados com o réu, fala sério! O que eles querem são os honorários!!! ($$)

Ou seja, o espírito é O MESMO.

Por isso me irritei. Por isso escrevi.

Cerestino.

segunda-feira, 28 de março de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

A Avaliação Necessária

Meu amor pena arte seria muito criticado, como já foi, por não conter concretudes técnicas. Admito que não concordo com a inspiração por ela mesma como suficiente para alcançar o objetivo que deveria ser o de todo o artista: provocar seu público.

Costumo dizer que toda manifestação artística pode se dizer de boa qualidade quando ela consegue atingir seu público naquilo que ela se propõe. Mesmo que nos níveis mais simples de atingimento. A música deve pelo menos cativar os ouvidos, a pintura e a dança, os olhos, o cimena e o teatro, ambos, a culinária, o olfato e o paladar, etc.

Mesmo não gostando de todas as manifestações artísticas, me sinto obrigado a creditar a uma música, ou filme ou o que seja o título de bom se percebo que ela atingiu seu objetivo.

Dito isto, quero fazer uma simples convocação a cada artista ou apreciador de arte que esteja me lendo: não se contente em fazer ou apreciar arte ruim. O que é arte ruim? Seguindo essa linha de raciocínio é aquela que não te provoca. É aquela que em se apresentando como comédia não lhe provoca um riso gostoso, ou que se apresentando como drama não lhe provoca choro.

Claro que a classificação de músicas, filmes, peças, etc de idiotas ficam a cargo do espectador. Graças à Deus que ainda se produzem, obras de arte boas, muito boas. E graças a Deus também que as boas obras de tempos antigos ainda nos estão disponíveis, em grande parte, graças a internet.

A avaliação é necessária, caso contrário estaremos fadados, enquanto vivos, a aberrações midiáticas como temos em fartura em todo o mundo.

domingo, 20 de março de 2011

Nada de mais

O que você vai encontrar no Caminho da Graça?

Bom, posso dizer o que encontrei na Estação BH. Quando estava lá chegando, essa pergunta me veio a mente: o que será que eu vou encontrar lá? E sinceramente, não queria dar muitas asas a esse questionamento para não gerar uma expectativa idólatra para com eles, coisa que eu já fiz muito com a igreja. E, após a reunião acabar, a minha conclusão foi que o que eu encontrei foi...

Nada de mais.

Por que todos os "mais" que até hoje foram inseridos na vivência do Evangelho, existem nas igrejas fundadas pelo Cristianismo. E por ser tão difícil achar a simplicidade e o minimalismo burocrático-institucional no meio dito "cristão" é que fiquei tão feliz em ver que lá, no Caminho da Graça eu não achei nada de mais.

Lá não há um nomeado pastor que tem o monopólio sobre a revelação e o ensino, nem a responsabilidade sobre a alma de ninguém;
Lá não há rol de membros, há pessoas que estão juntas no caminho pelo vínculo único do amor;
Lá ninguém paga impostos divinos;
Lá todos têm, sim, um pastor, o Bom Pastor;
Lá há quem sofra, quem chore, e sempre há quem se tenha o ombro respingado de lágrimas;
Lá há simplicidade;
Lá não há necessidade de controles humanos, não porque todos sejam perfeitos, mas primeiro, porque ninguém está em posição de controlar ninguém, porque todos somos irmãos, e segundo porque todos, todos nós teremos que responder individualmente perante nosso Criador, não só no Grande Dia, mas diariamente Seu Espírito nos impele a nos mostrar à luz, quem ignora isso já saiu dEle, e não é um controle humano que vai remediar isso.

Isso é pouco, mas é o que eu vi.

Quem duvidar, vá e veja.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Como pedir uma pizza em 2015

Texto de Luís Fernando Veríssimo

Telefonista: Pizza Hut, boa noite!

Cliente: Boa noite! Quero encomendar pizzas...

Telefonista: Pode me dar o seu NIDN?

Cliente: Sim, o meu número de identificação nacional é 6102-1993-8456-54632107.

Telefonista: Obrigada, Sr.Lacerda. Seu endereço é Avenida Paes de Barros, 1988 ap. 52 B, e o número de seu telefone é 5494-2366, certo? O telefone do seu escritório da Lincoln Seguros é o 5745-2302 e o seu celular é 9266-2566.

Cliente: Como você conseguiu essas informações todas?

Telefonista: Nós estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.

Cliente: Ah, sim, é verdade! Eu queria encomendar duas pizzas, uma de quatro queijos e outra de calabresa...

Telefonista:
Talvez não seja uma boa idéia...

Cliente:
O quê?

Telefonista: Consta na sua ficha médica que o Senhor sofre de hipertensão e tem a taxa de colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas perigosas para a sua saúde.

Cliente: É você tem razão! O que você sugere?

Telefonista: Por que o Senhor não experimenta a nossa pizza Superlight, com tofu e rabanetes? O Senhor vai adorar!

Cliente: Como é que você sabe que vou adorar?

Telefonista: O Senhor consultou o site 'Recettes Gourmandes au Soja' da Biblioteca Municipal,dia 15 de janeiro, às 4h27minh, onde permaneceu conectado à rede durante 39 minutos.
Daí a minha sugestão...

Cliente: OK está bem! Mande-me duas pizzas tamanho família!

Telefonista: É a escolha certa para o Senhor, sua esposa e seus 4 filhos, pode ter certeza.

Cliente
: Quanto é?

Telefonista: São R$ 49,99.

Cliente: Você quer o número do meu cartão de crédito?

Telefonista: Lamento, mas o Senhor vai ter que pagar em dinheiro. O limite do seu
cartão de crédito já foi ultrapassado.

Cliente: Tudo bem, eu posso ir ao Multibanco sacar dinheiro antes que chegue a pizza.

Telefonista: Duvido que consiga! O Senhor está com o saldo negativo
no banco.

Cliente: Meta-se com a sua vida! Mande-me as pizzas que eu arranjo o dinheiro. Quando é que entregam?

Telefonista: Estamos um pouco atrasados, serão entregues em 45 minutos. Se o Senhor estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar duas pizzas na moto não é aconselhável, além de ser perigoso...

Cliente: Mas que história é essa, como é que você sabe que eu vou de moto?

Telefonista: Peço desculpas, mas reparei aqui que o Sr. não pagou as últimas prestações
do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga, e então pensei que fosse utilizá-la.

Cliente: @#%/§@&?#>§/%#!!!!!!!!!!!!!

Telefonista: Gostaria de pedir ao Senhor para não me insultar... Não se esqueça de que o Senhor já foi condenado em julho de 2006 por desacato em público a um Agente Regional.
Cliente: (Silêncio)

Telefonista: Mais alguma coisa?

Cliente: Não, é só isso... Não, espere... Não se esqueça dos 2 litros de Coca-Cola que constam na promoção.

Telefonista: Senhor, o regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo 3095423/12, nos proíbe de vender bebidas com açúcar a pessoas diabéticas...

Cliente: Aaaaaaaahhhhhhhh!!!!!!!!!!!
Vou me atirar pela janela!!!!!

Telefonista: E machucar o joelho? O Senhor mora no andar térreo!

domingo, 6 de março de 2011

Não se Esqueça

Texto de Nelson Machado


Você pensa que não nos conhece, mas cresceu nos ouvindo. Não importa o tempo em que você foi criança, você cresceu escutando: "Oh vida" "Santa recompensa, Batmam" "gentala gentalha" "Scooby-doo, cadê você?" "Morra Seya" "Pelos poderes de Greyskull" "É a dimensão da fantasia, uma região... além da imaginação". E tantas outras frases e bordões.

Você depois cresceu mais um pouco, tomou contato com séries engraçadas, emocionantes, violentas, excitantes... teve seu café da manhã com desenhos, sua folga da escola ou do trabalho com sessões da tarde, sua noite recheada de séries semanais e grandes filmes de longa-metragem de comédia, drama, aventura... teve suas madrugadas de insônia preenchidas com filmes antigos, velhos atores, grandes diretores.

Na maioria das vezes em que estivemos juntos a sua intenção era se divertir. Nossa passagem em sua vida foi sempre em momentos de descontração. Com o tempo, você foi aprendendo, tomando gosto, se informando, estudando, crescendo, se tornando mais sábio e mais culto. Talvez hoje você continue com a gente, nos acompanhando nos caminhos que continuamos a percorrer durante quase 50 anos.

Talvez você ainda goste de nos ouvir numa tarde de folga ou numa madrugada qualquer. Talvez você continue nos querendo por perto. Talvez não. Talvez você tenha mudado suas preferências. Talvez hoje você prefira seus filmes, séries e desenhos sem a nossa participação. E esse é um direito seu.

Mas seu filho, sem dúvida vai percorrer o mesmo caminho que você percorreu. E nos vamos estar por aqui para nos divertir junto com ele assim como já nos divertimos junto com você.

E assim como você não se esquece de um pião, uma pipa, um video game, uma professora, uma namorada, um gibi ou um grande amigo, não se esqueça de que tudo o que você aprendeu a gostar em cinema, em vídeo e em TV, você conheceu dublado.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Sem título II

Faz alguns meses que eu perdi o interesse em escrever. Perdi por questionar a relevância das minhas opiniões. Por achar meio sem motivo emitir uma opinião, pelo menos em forma escrita, acerca de muitas coisas: das minhas opiniões pessoais, críticas aos moldes da sociedade ou as reflexões acerca do Evangelho.

Parei.

Isso explica minha inatividade no twitter e no blog.

Agora, outro fenômeno ocorre, que é a minha recente e persistente sensação de emburrecimento. Não sei se foi simultâneo à minha parada na escrita ou se foi anterior, o fato é: eu me sinto menos inteligente.

E eu poderia dar muitas razões para tal sentimento, mas a realidade é que isso só me afundaria mais na burrice. E como disse, não sei  se me senti assim porque parei de escrever ou se parei de escrever porque comecei a me sentir assim.

Talvez isso seja uma conseqüência natural e não programada de minha rejeição tão intensa a toda intelectualidade estéril e produtora de vazios e lugares-comum, que tem seu maior representante no Direito, com a qual tenho passado a conviver nesses tempos de ensino "superior". E eu sei, eu sei que acabei de dizer que fazer isso (justificar o sentimento de ''desinteligência'') seria burrice, mas é mais forte do que eu.

Assim, fico um poucomais tranquilo sabendo que fui eu mesmo que vim pra cá, essa consequência é natural: se o vento sacode a árvore com força os frutos que caem estavam mesmo precisando cair. Fico mais tranquilo ainda sabendo que não fui eu que me meti nessa, muito antes, foi o próprio Deus que, como lhe é de feitio, faz com que percebamos a vida em profundidade, mostrando o que cada coisa quer ensinar em cada momento. A sabedoria do homem, para ele é loucura. E a loucura humana é, para ele, sabedoria.

Entretanto, continuo a me sentir mais burro. Mas acho que devo voltar a escrever.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A Nova Revolução

Depois do  iPhone, Twitter, iPad, Galaxy, Android... vem aí uma nova revolução:“BOOK”




"Bem vindo a Experiência BOOK."

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Demo-cracia.

A idéia de que pessoas destreinadas possam com algum grau de acerto compreender a menor coisa que seja sobre a prática da administração civil da máquina de uma civilização economicamente complexa, que envolve os mais intricados problemas de engenharia, é tão grotesca e absurda que apenas o costume cego baseado na tradicional e inefável estupidez do grupo pode levar, concebivelmente, um adulto sóbrio a abraçá-la seriamente neste nosso desiludido ano de 1932.
A democracia – como distinta de oportunidade e bom tratamento universais – é hoje uma falácia e uma impossibilidade tão grandes que qualquer tentativa séria de aplicá-la não deve ser considerada como outra coisa que não gracejo e pilhéria.
Em tempos mais primitivos o cidadão médio era mais ou menos capaz de compreender a natureza dos problemas governamentais ao redor de si – compreender, quer dizer, quais medidas imediatas trariam a longo prazo a realização dos seus desejos, e quais passos práticos seriam, através de uma cadeia relativamente simples de causa e efeito, capazes de garantir a adoção bem-sucedida e a manutenção dessas medidas.
No complexo mundo contemporâneo nenhuma compreensão semelhante é possível. Debaixo do altamente tecnicalizado governo que qualquer grande nação industrial deve ter, o cidadão moderadamente informado e inteligente não possui mais do que uma debilíssima idéia do que representam os mais simples princípios políticos, ao mesmo tempo em que não tem a mais remota chance de apreender o que for dos mais avançados e intrincados problemas de política e administração.
Isso se aplica, além disso, não apenas ao homem simples e não-instruído, mas a todos os leigos e profissionais liberais, quer sejam lavradores ou professores de sânscrito, varredores de rua ou escultores. Que uma pessoa assim mal-informada lance votos que determinem medidas nacionais, ou mesmo imaginar-se que possa conceber o que representa a maior parte dessas medidas, é objeto de incontrolável riso cósmico. Que tais pessoas possam ser eligíveis a cargo administrativo é noção que levaria Tsathoggua e Yog-Shothoth a partirem-se em incontrolável hilaridade.
O governo “pelo voto popular” quer dizer apenas a nomeação de homens dubiamente qualificados por dubiamente autorizadas e raramente competentes agremiações de políticos profissionais que representam interesses ocultos, seguida por uma insolente farsa de persuasão emocional na qual os oradores com as línguas mais falastronas e as frases de efeito mais baratas arrebanham para o seu lado uma maioria numérica de tolos e simplórios cegamente impressionáveis que não tem em sua maioria a mínima idéia do que representa o circo todo.
H. P. Lovecraft, em carta de 7 de novembro de 1932 a Robert E. Howard
Publicado originalmente a 18 de abril de 2006

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O que vale mais?

Esse vídeo é antigo, mas pra quem não viu, veja pois vale a pena.

É possível sentir a tensão no ar.



É, cada um garantiu o seu.

Sem ser politicamente correto.

Acho bom ver alguém que tem um cargo cuja atribuição é representar o povo de seu Estado não sendo só uma voz de concordância com Governos ineficientes, emburrecedores e corruptos.

Começo a repensar a premissa cravada no senso comum: "para estar lá (na política) tem que concordar com as coisas que acontecem lá". Ou qualquer coisa nesse sentido.

Mesmo que um voto contra não vença uma massa comprada, é bom ver alguém que preserva a alma das transações com o erro.

Marcelo Freixo falando sobre a violência e as operações do Governo do Rio nos recentes incidentes na Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão:



"eu particularmente não acho que uma sociedade que precisa de muita política rua seja uma sociedade segura"

"não é hora pro Governo tentar fazer propaganda das suas atitudes diferenciando-se de Governos que eles fizeram parte no passado"

PS: Confesso que gostei de ver a repórter ter respostas inesperadas para as perguntas!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O Tédio

Poema declamado pelo grande Dublador Isaac Bardavid.

É reconhecível nos primeiros segundos, mas para título de informação, Isaac é o dublador - dentre outros personagens - do Wolverine.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O último preconceito

Num livro publicado na Inglaterra em 1998, o linguista britânico Jarnes Milroy escreveu (pp. 64-65): “Numa época em que a discriminação em termos de raça, cor, religião ou sexo não é publicamente aceitável, o último baluarte da discriminação social explícita continuará a ser o uso que uma pessoa faz da língua“.
Essas palavras me voltaram à lembrança quando li, no Jornal do Brasil do dia 10/11/2002, o seguinte trecho da coluna Coisas de política, assinada pela jornalista Dora Kramer:
Dúvida pertinente: até quando será considerado politicamente correto ignorar que o presidente eleito do Brasil comete crassos e constantes erros de português?
Queira Deus que, em breve, o assunto já possa ser abordado sem provocar grandes traumas, porque, daqui a pouco, será preciso rever os currículos das escolas do ensino básico, a fim de adaptar as lições sobre plural e concordância ao idioma que as crianças ouvem o presidente falar na televisão.
Evidentemente, não era a primeira vez que eu lia esse tipo de afirmação preconceituosa sobre o modo de falar de Luiz Inácio Lula da Silva — todos sabemos que esse foi um dos instrumentos de difamação lançados por seus oponentes nas disputas eleitorais de 1989, 1994 e 1998. O que me chamou a atenção foi a sobrevivência desses argumentos, com a mesma intensidade, mais de uma década depois.
Duas semanas mais tarde, o jornalista Daniel Piza escreveu, no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo (24/11/2002):
Por que não me ufano: Lula, seus companheiros de PT e grande parte da população maltratam o idioma cortando o “s” final das palavras e todas as concordâncias que a lógica sintática pede. Que não seja a morte do plural, em nenhum dos sentidos.
Seria muita ilusão supor que uma vitória como foi a de Lula nas eleições de 2002 bastaria para que o preconceito linguístico desaparecesse de vez da nossa sociedade. Afinal, de todos os conjuntos de superstições infundadas que compõem a cultura brasileira, nenhum é tão resistente, parece, quanto o das ideias preconcebidas que impregnam nosso imaginário a respeito de línguas em geral e, mais especificamente, da língua que falamos.
Simplesmente, o preconceito linguístico não existe. O que existe, de fato, é um profundo e entranhado preconceito social. Se discriminar alguém por ser negro, índio, pobre, nordestino, mulher, deficiente físico, homossexual etc. já começa a ser considerado publicamente inaceitável (o que não significa que essas discriminações tenham deixado de existir) e politicamente incorreto, fazer essa mesma discriminação com base no modo de falar da pessoa é algo que passa com muita naturalidade, e a acusação de “falar tudo errado”, “atropelar a gramática” ou “não saber português” pode ser proferida por gente de todos os espectros ideológicos, desde o conservador mais empedernido até o revolucionário mais radical. Por que será que é assim?
É que a linguagem, de todos os instrumentos de controle e coerção social, talvez seja o mais complexo e sutil, sobretudo depois que, ao menos no mundo ocidental, a religião perdeu sua força de repressão e de controle oficial das atitudes sociais e da vida psicológica mais íntima dos cidadãos. E tudo isso é ainda mais pernicioso porque a língua é parte constitutiva da identidade individual e social de cada ser humano — em boa medida, nós somos a língua que falamos.
Infelizmente, num longo processo histórico, o que passou a ser chamado de língua é uma coisa que é vista como exterior a nós, algo que estaria acima e fora de qualquer indivíduo, externo à própria sociedade: uma espécie de entidade mística sobrenatural, que existe numa dimensão etérea secreta, imperceptível aos nossos sentidos, e à qual só uns poucos iniciados têm acesso. E por acreditar nisso que Daniel Piza pôde escrever que Lula, seus companheiros de PT e grande parte da população “maltratam o idioma”. É como se a língua não pertencesse a cada um de nós, não fizesse parte da nossa própria materialidade física, não estivesse inscrita dentro de nós — por isso ela pode ser “maltratada”, “pisoteada”, “atropelada”: a língua é vista como um Outro.
O dogma da infalibilidade papal virou piada, mas quase ninguém zomba dos dogmas gramaticais (mais velhos que a religião cristã). Por que os rótulos de “certo” e “errado” são abandonados, e até ridicularizados, em outras esferas da vida social, mas permanecem vivos e ativos quando o assunto é língua? Por que ninguém se dá conta de que a nebulosa norma culta é um produto humano e, portanto, imperfeito, falho e suscetível de contestação e reformulação?
Marcos Bagno, em A Norma Oculta: Língua e poder na sociedade brasileira

sábado, 6 de novembro de 2010

Ninguém neste recinto


Ninguém neste recinto, incluindo o seu pastor, acredita na fé cristã. Nenhum de nós daria a outra face. Nenhum de nós venderia tudo que tem e daria aos pobres. Nenhum de nós daria o casaco a um sujeito que tivesse tirado nosso sobretudo. Cada um de nós acumula todo o tesouro que consegue. Não praticamos a religião cristã e não temos qualquer intenção de praticá-la. Logo, não acreditamos nela. Eu portanto me desligo, e aconselho vocês a pararem de mentir e se dispersarem.
Sinclair Lewis, em Elmer Gantry (1927)